Pular para o conteúdo
Drica Ricci
Tema da página

Raízes

Antes de mim, muitas histórias.

A coragem de recomeçar. O cuidado de permanecer.

Drica Ricci sorrindo, com o cabelo solto, casaco preto e blusa branca, em retrato vertical com fundo claro.
Drica Ricci, hoje. A história que eu conto aqui chega até mim.

A minha história passa pelas pessoas que vieram antes, pelas casas onde eu cresci e pelas escolhas que eu faço hoje. Ao reunir documentos e lembranças da minha família, eu encontro uma pergunta que acompanha a minha vida: o que eu desejo levar adiante?

Raízes é o espaço em que eu compartilho essa procura. Há fatos preservados em arquivos, memórias transmitidas pelos parentes e reflexões que eu faço no presente. Cada uma dessas vozes tem o seu lugar.

Minha tia, Nanci, compartilhou documentos e lembranças que nos ajudaram a conhecer e preservar essa parte da nossa história.

Meu trisavô, Pasquale — um futuro para viver juntos

Na memória da minha família, meu avô paterno, Ernesto Ricci, era filho do meu bisavô, Luiz Ricci, e da minha bisavó, Ana. É por essa linha que chegamos ao meu trisavô, Pasquale Ricci, e à minha trisavó, Filomena Girasole.

Um processo de 1925 registra Pasquale já instalado na Fazenda Pico Alto e a organização da vinda da esposa e de três filhos. O que me toca é o sentido desse reencontro: a construção de uma vida que incluísse as pessoas com quem ele tinha vínculos.

Quando eu olho para esses papéis, eu reconheço um gesto de responsabilidade com a família. É a minha leitura de uma história que os documentos ajudam a preservar.

Trecho datilografado de 1925 que pede a restituição das despesas de passagem da família vinda de Nápoles no vapor Europa. Ampliar

O trecho central do requerimento de 1925, protocolado na Secretaria da Agricultura.

“Ricci Pasquale, chefe da immigrante Girasole Filomena e trez filhos, chegados ao porto de Santos em 30 de Setembro de 1924, pelo vapor Europa, procedente do porto de Napoles, achando-se localisado com sua mulher e filhos […] na Fazenda Pico Alto.” Transcrição de leitura, com a grafia do documento.

Processo SACOP C07593_00503, p. 2 · Arquivo Público do Estado de São Paulo / Museu da Imigração. Recorte do documento; o pedido de restituição não é comprovante de recebimento.

Minha trisavó, Filomena — a coragem de atravessar

A lista do vapor Europa registra o grupo de Filomena chegando a Santos em 30 de setembro de 1924. São quatro pessoas: Maria Adelaide, Filomena, Federico e uma menina cujo nome apresenta variantes nas fontes. No dia seguinte, aparecem na matrícula da Hospedaria de Imigrantes, em São Paulo.

O processo também preserva os passaportes de Filomena e de Maria Adelaide. Olhar para esses documentos é lembrar que a história não pertence apenas a quem chegou primeiro. A mulher que atravessou com os filhos tem o seu próprio lugar nela.

Pelas histórias transmitidas na nossa família, minha trisavó, Filomena, é lembrada como uma mulher de fé.

No passaporte de Filomena está, ainda, o nome de Carmela e uma anotação de falecimento. A data, o lugar e as circunstâncias permanecem sem confirmação. O nome dela fica preservado com respeito, sem que a gente complete o que não sabe.

Página de passaporte italiano de 1924 com uma fotografia colada, a tabela de sinais pessoais e o registro de emissão em 7 de setembro de 1924. Ampliar

A página do passaporte emitido em San Bartolomeo in Galdo, com a fotografia colada e a data de emissão: 7 de setembro de 1924.

Ninguém é identificado na fotografia por aparência: o que se sabe é que ela pertence a esta página do documento nominal.

Passaporte nº 328, no processo SACOP C07593_00503, p. 13 · Arquivo Público do Estado de São Paulo / Museu da Imigração.

A chegada, em 30 de setembro de 1924

Quatro linhas manuscritas de uma lista de passageiros, numeradas de 45 a 48, com sobrenome, nome, parentesco e idade. Ampliar

Quatro linhas da Lista Geral de Passageiros do vapor Europa, ordens 45 a 48.

45 Ricci Maria Adele — filha, 15 · 46 Girasole Filomena — chefe, 43 · 47 Ricci Federico — filho, 12 · 48 Ricci Adelinda — filha, 3. Transcrição de leitura; o prenome da menina da ordem 48 aparece com variantes nas fontes.

BR_APESP_MI_LP_014717, p. 2 · Arquivo Público do Estado de São Paulo. Idade declarada em lista não é certidão de nascimento.

Cartão-postal antigo com a ilustração do vapor Europa navegando, da companhia italiana La Veloce. Ampliar

O vapor Europa, da companhia La Veloce, em cartão-postal da época.

Imagem histórica do navio, para dar rosto ao nome que aparece nos documentos. Não é uma fotografia desta viagem.

Library of Congress, item 2013645889 — sem restrições conhecidas de publicação.

Os lugares dessa travessia

Um esquema dos lugares que os documentos registram — não o traçado exato da viagem.

  1. San Bartolomeo in Galdoorigem indicada nos documentos
  2. Nápolesporto de embarque
  3. Santoschegada · 30 de setembro de 1924
  4. São PauloHospedaria de Imigrantes · 1º de outubro de 1924
  5. Região de Annapolis, Fazenda Pico Altodestino

As distâncias não estão em escala e a sequência não representa a rota navegada.

Meu bisavô, Luiz — a ponte entre as gerações

Luiz Ricci nasceu em San Bartolomeo in Galdo, em 1907, filho de Pasquale e de Filomena. Ele não aparece na lista do Europa nem na matrícula da Hospedaria: quando e como ele veio não está registrado nos papéis que a gente tem.

O que existe é esta ficha de registro de estrangeiros, fotografada no caderno que a minha tia, Nanci, compartilhou. Nela estão a nacionalidade, a data de nascimento e a filiação.

É por essa geração que, na memória da nossa família, a linha chega ao meu avô, Ernesto, e daí até mim.

Ficha de registro de estrangeiros, com os campos impressos de nome, nacionalidade, data de nascimento e filiação. Ampliar

A ficha de registro de estrangeiros de Luiz Ricci, como foi fotografada no caderno da família.

Os campos preenchidos à mão estão esmaecidos na reprodução. Número de documento, endereço e emprego ficaram fora do recorte: não têm função nesta história.

Cópia da família, compartilhada pela tia Nanci · documento original da Delegacia Especializada de Estrangeiros, SSP-SP, hoje sob guarda do Arquivo Público do Estado de São Paulo.

Minha mãe, meus avós e as histórias de perto

As minhas raízes também estão no lado Barros: minha mãe, Sônia Regina de Barros Ricci; minha avó materna, Helena dos Prazeres Simões; meu avô materno, Édson de Moraes Barros.

Na infância, a minha mãe trabalhava e estudava, e eu passava muito tempo com avós e tias. Eu tenho lembranças de uma família pequena e próxima. Essas presenças não precisam de uma viagem distante para fazer parte da minha história.

Os arquivos guardam nomes e datas. A convivência deixa outras marcas: o tempo que a gente recebe, os vínculos que a gente reconhece e as experiências que ajudam a crescer.

Adriana ainda criança, de pé sobre o sofá da sala, com o braço erguido no ar.
Eu, ainda criança, na casa onde passei a infância.

Meu avô — o carinho que ficou

Meu avô me mimava muito. Fazia de tudo por mim, e eu me sentia muito querida por ele. Hoje, quando eu penso na minha infância, esse carinho tem um lugar especial. As minhas raízes também estão nessa lembrança simples e profunda: a de ter sido uma neta muito amada.

Ao contar de onde eu venho, eu quero guardar também isso. Não apenas os nomes e as datas, mas o amor que eu recebi das pessoas que fizeram parte da minha vida.

A história que eu escolho continuar

Eu também construí a minha vida entre trabalho, casamento, maternidade e fé. Meu marido, Sergio, e os meus filhos, Nicole, Vinícius e Gabriel, são o meu "para quem". Cada decisão importante me convida a pensar em como ela toca a nossa família.

A conexão entre Fé, Família e Finanças nasceu das experiências que a gente viveu e de uma conversa com mulheres sobre prosperidade e finanças. Conhecer as minhas raízes não substitui essa trajetória: me ajuda a olhar para ela com mais atenção.

É esse desejo de viver com mais presença e integrar o que importa que eu levo ao Viva Inteira. Não para repetir uma vida que veio antes, mas para escolher, com consciência, o que vale a pena continuar.

Os cinco da família deitados lado a lado sobre um tapete claro, em um estúdio de fotografia.
A família que eu construí: Sergio, Nicole, Vinícius, Gabriel e eu.

De onde vêm estas informações

A parte histórica reúne três conjuntos documentais preservados em arquivo público: o processo SACOP C07593_00503, com o requerimento de 1925 e os passaportes nominais; a Lista Geral de Passageiros do vapor Europa (BR_APESP_MI_LP_014717), com a chegada a Santos; e a matrícula L097/170 da Hospedaria de Imigrantes. Todos estão sob guarda do Arquivo Público do Estado de São Paulo e do Museu da Imigração.

A ligação entre o meu avô Ernesto e os meus bisavós Luiz e Ana é memória da nossa família: ela organiza a linha até Pasquale e Filomena, e ainda não está fechada por documento. O que os papéis registram e o que a família lembra são coisas diferentes, e eu preferi manter cada uma no seu lugar.

As imagens de documentos nesta página são recortes: corte e compressão, nada mais. Nenhum rosto, letra, data ou assinatura foi reconstruído. A ficha de Luiz é uma fotografia do caderno que a nossa família guarda; as demais peças estão sob guarda do Arquivo Público do Estado de São Paulo e do Museu da Imigração, e aparecem com o crédito de cada uma. O cartão-postal do vapor vem da Library of Congress, que informa não haver restrições conhecidas de publicação.